Por Réa Sílvia
Há quem se questione o porquê de todo um conhecimento intelectual não chegar até as grandes massas. Há quem questione seu meio sobre onde está este conhecimento todo que as grandes massas não têm acesso a ele. E há quem questione quem detém este conhecimento todo que não só não informa onde ele está como também o limita a quem já o detém. Mas, no final, a pergunta parece ser uma só, a quem servem os conhecimentos acadêmicos e científicos, afinal?
Em busca de um acesso livre que não só gere um impacto social transformador, mas que reverta à lógica mercantilista adotada pelo vigente acesso
de elite, o movimento por um acesso aberto às publicações científicas vem ganhando espaço através de repositórios que transpõem as fronteiras do que é tido como uma via dourada, revistas de classe AA, ao propor uma via verde que armazene, preserve e divulgue com a intenção de inseminar redes e difundir realidades que dialoguem entre si e se complementem.
Nesse sentido, é através de publicações e de compartilhamentos que visem um processo de evolução das idéias que o acesso a informação se torna um canal transformador ao expor estudos valiosos sobre as possibilidades materiais da existência humana em função de um desenrolar inclusivo da ciência e da tecnologia na sociedade global como um todo, tal como exposto e proposto pela própria articuladora da ACIEPE, Chloe Furnival, nos dois últimos encontros- 7 e 21 de maio- sobre circulação ampliada de conhecimento no estúdio da Rádio UFSCar.
De repositórios institucionais, em que o próprio governo financia o conhecimento para que esse esteja limitadamente acessível a quem estas instituições servem, tal como a plataforma lattes, a repositórios abertos, tal como o openaire sustentado pela comunidade européia, a obrigatória entrega dos direitos do próprio pesquisador de difundir suas pesquisas onde quer que este deseje que estas sejam compartilhadas, o copy right, ainda é uma problemática em pauta digna de ser debatida, enfrentada e superada.
Apesar disso, requisitos de órgãos de fomento, mandatos de universidades, convicções de hábito e cultura e incentivos de outras ordens parecem encontrar uma brecha no sistema como uma política de depósito que, apesar de limitada e rígida, pode vir a dar espaço para um questionamento consistente sobre até que ponto direcionar e canalizar o conhecimento para poucos é de fato coerente com a busca por uma transparência em ciência que se alinhe com o fato de o dinheiro público, proveniente do povo, estar sendo investido por e para uma construção social de conhecimento que contemple o direito de saber de todo e qualquer indivíduo.