Por Réa Sílvia
E se uma visão multidisciplinar de realidade que se propõe hoje viesse a se transformar em uma visão interdisciplinar de mundo em que diferentes abordagens dialogassem entre si para a confluência de um universo em que o tempo, o espaço e a intenção fizessem parte de uma criação fluida e orgânica?
Partindo de uma parte do todo, um micro, é de se considerar que o macro da criatividade humana, um todo diferente da soma de suas partes, seja capaz não só de emergir, mas de se desenvolver e de se reordenar como um processo em que o aprender e o ensinar inevitavelmente se confundem com ‘’ruídos’’ e ‘’ajustes’’ essenciais ao desenrolar de todo um processo criativo humano coerente.
Nesse sentido, considerando que o aprender e o ensinar façam parte de uma mudança contínua de mentes e, consequentemente, de paradigmas, foi trazendo à tona um senso de ordenamento que quebra hierarquias e propõe conexões aleatórias entre elementos e ambientes espontaneamente que Yara Couto, professora adjunta do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da UFSCar, expôs de que forma a auto-organização, o não ordenamento padrão, é capaz de absorver âmbitos psicológicos, sociais, econômicos, políticos e culturais e, atemporalmente, neutralizar e redefinir movimentos globais como parte de todo um processo.
Assim sendo, enquanto na auto-organização primária a existência de um modelo é questionada por sua rigidez em oposição às conexões a serem determinadas e ressignificadas a cada momento presente, na auto-organização secundária o processo de aprendizagem se faz o foco diante de ‘’ruídos’’ que advém de interações inesperadas e são absorvidos como manifestações livres através de um senso de auto-controle norteado por mecanismos de ‘’ajuste’’.
Logo, é justamente em fluxo com tal forma pensamento que a teoria da auto-organização e do processo de criação é capaz de proporcionar um equilíbrio dinâmico que não só contemple a plasticidade que cabe à complexidade corporal e existencial de todo e qualquer ser humano, mas que também sincronize informações regulares e ambíguas como uma forma de reconhecer elementos distintos como complementares de um processo criativo atemporal e co-criativo fundamentalmente humano.