Termo de Referência

Postado em: 11 de junho de 2010 à(s) 23:20 por nilo  Sem Comentários

Princípios expressam a razão de ser de uma instituição, grupo ou projeto, seus valores, sua missão, compromisso fundamental. Diretrizes concretizam princípios e permitem o planejamento de ações. Assim, esta Carta de Princípios torna públicos os princípios e diretrizes do CONTATO – Festival Multimídia de Rádio, TV, Cinema e Arte Eletrônica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), construídos compartilhada e colaborativamente por todos que, de alguma forma, participaram das edições anteriores do evento e, principalmente, permanentemente disponíveis à atualização a cada novo contato.

O CONTATO surge na UFSCar em 2007 e, nesta sua origem, adota para si o entendimento de que a produção de conhecimento articulada à formação de pessoas e à multiplicação das oportunidades de interação entre Universidade e Sociedade são as atividades por meio das quais a instituição universitária concretiza os seus objetivos últimos: justamente produzir e sistematizar o conhecimento e torná-lo acessível. Esta é uma outra forma de falar sobre a tão comentada – e nem sempre praticada – indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Na concepção e realização do CONTATO, esta primeira característica fundamental concretiza-se no compromisso com a sistematização dos saberes produzidos na realização do Festival e a garantia da disseminação e livre acesso a esse conhecimento; na experimentação e busca permanente por promover o debate sobre, questionar e atuar na fronteira da produção em Arte e Cultura; na construção de caminhos de aproximação com todos os departamentos acadêmicos da UFSCar e outras universidades, contribuindo assim para a inserção da Cultura como eixo transversal à formação em todas as áreas e, por outro lado, trazendo a contribuição dessas áreas para a arena cultural; na perspectiva de formação permanente de todos os envolvidos – realizadores, colaboradores, artistas, público – através da pesquisa e intercâmbio de conhecimentos; e, finalmente, na busca por estruturas organizacionais e modelos de gestão que permitam incrementar cada vez mais a atuação conjunta entre universidade, sociedade civil e poder público na definição, implementação e consolidação de políticas públicas na área de Comunicação e Cultura no Brasil.

Mas, a que cultura nos referimos ao falarmos em Cultura? Eximindo-se de entrar em debates mais fundamentais sobre o conceito de Cultura – que fogem às intenções e objetivos deste documento –, é preciso explicitar que, ao falarmos e atuarmos em Cultura, nossos pressupostos são: o fomento à cultura independente, produzida de forma descentralizada, em rede e por meio de processos colaborativos, bem como às tecnologias livres e ao código aberto; a valorização das produções locais e regionais e a busca por estratégias e meios de circulação dessa produção, bem como de alternativas de geração de trabalho e renda na perspectiva da Economia do Conhecimento e fundadas na Economia Solidária; a busca pela democratização e, consequentemente, pela universalização do acesso aos meios de produção e às realizações culturais e comunicacionais, ou seja, pela multiplicação de oportunidades de reflexão, formação e fruição; a apropriação crítica das potencialidades das novas tecnologias de comunicação e informação, das relações entre Arte e Tecnologia e, em uma perspectiva mais abrangente, da Cultura Digital; e, por fim, o entendimento de Arte, Cultura e Comunicação como atos políticos, engajados, transformadores, capazes de ressignificar a relação de cada um de nós com nossos semelhantes e diferentes e com o ambiente – construído e natural – em que vivemos.

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